Elisa copia

Venerável Madre Maria  Elisa Andreoli

M. Dolores

Venerável Madre Maria Dolores


CONGREGAÇÃO PELA CAUSA DOS SANTOS

ÁDRIA

BEATIFICAÇÃO E CANONIZAÇÃO

DA SERVA DE DEUS

MARIA ELISA ANDREOLI

FUNDADORA DA CONGREGAÇÃO

DAS SERVAS DE MARIA REPARADORAS

(1861-1935)


 

 

DECRETO SOBRE AS VIRTUDES

(Texto em língua italiana)

Traduzido em Português

“Seja feita a vontade de Deus em mim e em tudo o que tenho. A santidade consiste em fazer a santíssima vontade de Deus. Todo o resto é vaidade. Quero tornar-me santa como Jesus dispõe para mim”.

A procura e a realização da vontade de Deus, manifestadas nesta significativa expressão, fazem a diferença na vida de Maria Elisa Andreoli.

A Serva de Deus nasceu em Agugliaro (Vicença), no dia 10 de julho de 1861 de uma modesta família. Na pia batismal lhe são dados os nomes de Isabella Amália. A sua infância é marcada por tristes acontecimentos, sobretudo quando o pai abandona a família. A pequena, primeiramente é confiada às Irmãs da Misericórdia na cidade de Este (Pádua), junto às quais recebe uma ótima formação cristã e cultural e, sucessivamente, às Filhas da Caridade, chamadas Canossianas, em Veneza, para os estudos superiores. Após ter conseguido o diploma magistral, Isabella Amália nutre o desejo de dedicar-se totalmente ao Senhor e à educação da juventude. Transcorrerá alguns anos na Congregação das Damas do Sagrado Coração de Jesus e um período com as Servas de Maria, em Galeazza (Bolonha). A seguir, no fim de 1800, junto com a mãe Margarida e mais duas companheiras, dá início à Congregação das Servas de Maria Reparadoras e, assumindo o nome de Maria Elisa, aos 12 de julho de 1900, em Vidor (Treviso), emite os votos religiosos.

A partir de então, Maria Elisa, progride na fé, na total confiança na divina Providência – por ela chamada “bondade de Deus” – e na aceitação do amor divino a tal ponto, que não considera nada mais importante para si e para todos os fieis que amar a Deus sem limites e sobre todas as coisas; esta experiência potencia os seus dons naturais e espirituais e a sustenta ao enfrentar os muitos obstáculos que atrapalhavam o seu caminho. Nela, sempre mais clara e intensa é a inspiração de viver com estilo feminino a espiritualidade da Ordem dos Servos de Maria, contribuindo no crescimento das Congregações femininas do seu tempo, através do testemunho de uma vida conformada à lei evangélica do amor para com Deus e o próximo, a comunhão fraterna, o serviço e a piedade para com Santa Maria.

Em 1911, Maria Elisa, após o diálogo com o Bispo e com a devota Maria Inglese – que depois entrará na mesma Congregação com o nome de Maria Dolores – acolhe com alegria na sua família religiosa a “Obra da Reparação Mariana”. As Irmãs Servas de Maria Reparadoras, assim denominadas a partir de 1913, inspirando-se no exemplo maravilhoso da participação de Maria à paixão redentora do seu Filho, atuam o seu empenho de reparação e procuram transformar a sua vida em oblação de amor redentor. Este estilo de vida de Maria Elisa e das suas “filhas” transforma-se em ajuda solidária ao povo, resposta pronta e gratuita às graves necessidades e tristes acontecimentos de seu tempo. Então, toda envolvida nos acontecimentos e sofrimentos das pessoas, ela adverte mais claramente a necessidade de conformar a Jesus Cristo: a si mesma e a sua ação. Portanto, exercita a caridade para com o próximo empenhando-se na educação das crianças e dos jovens, privilegiando os pobres, os necessitados e os enfermos, ajudando-os com aquela bondade que escuta as pessoas pacientemente oferecendo-lhe conselhos, sugestões espirituais, conforto e consolação nos dias difíceis da vida e generoso perdão.

Maria Elisa transmite em toda parte o amor de Deus. Aos irmãos que lhe pedem uma ajuda, ela costuma dizer que a caridade está acima de tudo: “A caridade deve estar acima de toda regra, especialmente agora em tempo de guerra”. Ao fazer-se “próximo/a” das pessoas gravemente enfermas ou gravemente necessitadas, ela proporciona-lhes a percepção dos sinais da presença de Deus: a misericórdia, a consolação, o amor, que ela mesma experimentava através do próprio teor de vida. Elisa é convicta que a virtude fundamental é a humildade, da qual é gerada e ordenada toda expressão de amor a Deus e ao próximo, pois que, “sem humildade não existe outra virtude … a humildade é mãe da caridade”. Elisa descobre este modo de pensar e de viver da Virgem Maria, que é para ela “ajuda, proteção e exemplo”, para comportar-se sempre e plenamente como quem acredita em Deus e é discípulo/a de Jesus Cristo. Não obstante seja a “fundadora” das Servas de Maria Reparadoras, ela atribui somente à Virgem Maria os títulos de “Fundadora” e de “Madre geral”.

Elisa testemunha tudo isto até o fim de sua vida. Nos últimos anos sofre de nefrite hemorrágica e é exemplo para todos de como ela vive serenamente tal doença. Já muito fragilizada, alguns dias antes da morte, ela renuncia ao serviço de Priora geral. Morre piamente confiando no Senhor, em Rovigo, no dia 1º de dezembro de 1935, deixando a todos, primeiramente às suas “filhas”, como testamento, o que repetia frequentemente como seu projeto de vida: “Caminho para o céu! Somente Deus por testemunho, Jesus Cristo por modelo, Maria Santíssima como ajuda; e mais nada! Nada mais que amor e sacrifício!”.

Divulgada a fama de santidade da Serva de Deus, celebra-se na Cúria episcopal de Rovigo, o Processo Diocesano Informativo entre os dias 02 de fevereiro de 1965 e 15 de setembro de 1971; em seguida, em Roma, o Processo Apostólico e, em 24 de maio de 1974, é publicado o Decreto sobre os escritos da Serva de Deus. No dia 22 de maio de 1987, é emanado pela Congregação das Causas dos Santos o Decreto sobre a validade dos Processos. Feita a redação da Positio, em 29 de janeiro de 2010, o Congresso peculiar dos Consultores Teólogos, com êxito favorável discute, segundo o costume, se a Serva de Deus exerceu em grau heroico as virtudes cristãs. Os Padres Cardeais e os Bispos, na sessão ordinária de 16 de novembro de 2010, ouvido o relatório do Ex.mo Marcello Semeraro, Bispo de Albano, Ponente(Relator) da Causa, reconhecem que a Serva de Deus exerceu em grau heroico as virtudes teologais e cardeais e as anexas, e observou os conselhos evangélicos.

Feito um cuidadoso relatório de todos estes aspectos ao Sumo Pontífice Bento XVI, pelo Subscrito Cardeal Prefeito, sua Santidade, acolhendo e retificando os votos da Congregação pela Causa dos Santos, hoje declarou: Consta que a Serva de Deus Maria Elisa Andreoli (Isabella Amália), fundadora da Congregação das Servas de Maria Reparadoras, ao fim de que se trata, tenha exercido em grau heroico as virtudes teologais fé, esperança e caridade para com Deus e com o próximo, e as virtudes cardeais: prudência, justiça, sobriedade e fortaleza e aquelas anexas.

O Sumo Pontífice determinou que este decreto fosse publicado e referido nas atas da Congregação pela Causa dos Santos.

Dado em Roma, em 10 de dezembro de 2010.

ÂNGELO Card. AMATO, S.D.B.

Prefeito

+ MICHELE DI RUBERTO

Arcebispo titular de Biccari

Secretário